3 informações importantes sobre medicamentos para evitar riscos

PARIS - Os medicamentos, de venda livre (OTC em inglês) ou isentos de prescrição, fazem parte da vida diária para a maioria de nós ou de nossos entes queridos. Infelizmente, na atual quantidade de produtos comercializados em farmácias, é fácil ignorar ou esquecer algumas informações importantes. Resumimos para você 3 informações importantes para evitar complicações que podem ser muito sérias:

1. Cada pessoa pode reagir de maneira diferente a um medicamento (farmacogenética)

Algumas pessoas reagem positivamente a um medicamento e outras, pelo contrário, de forma negativa. A origem deste problema decorre, principalmente, de diferenças genéticas que levam a uma síntese de enzimas diferente, estas são largamente localizadas nas células do fígado. Estas enzimas são particularmente responsáveis pelo metabolismo (aqui estamos nos referindo à eliminação) dos medicamentos. Estima-se que cerca de 95% dos indivíduos possuam pelo menos uma variação genética que pode levar a um metabolismo diferente da média dos medicamento. A ciência ou disciplina que estuda esse fenômeno é chamada de farmacogenética.

Por exemplo, cerca de 25% das pessoas não metabolizam o clopidogrel (Plavix®), um anticoagulante, que consequentemente aumenta o risco de infarto do miocárdio e derrame.

Outro exemplo é a codeína, indicada especialmente em casos de dor, frequentemente vendida em combinação com o paracetamol (ex.: no Brasil Paco®; na França Dafalgan® Codéine e na Suíça Co-Dafalgan®). Em 20% das pessoas, a codeína tem muito pouco efeito, mas já para outras pessoas, cerca de 2%, a molécula pode ser muito ativa, ameaçando a vida do paciente.

O omeprazol, um medicamento amplamente utilizado e indicado especialmente durante a queimação no estômago, nem sempre é eliminado de forma adequada em algumas pessoas. De fato, até 15% dos indivíduos que tomam esse medicamento metabolizam (eliminam) o omeprazol muito lentamente. A consequência é uma concentração mais alta no sangue com um risco aumentado de efeitos colaterais. Algumas estatinas também podem ter interações genéticas.

No futuro, testes ou exames genéticos poderiam ser mais oferecidos ao paciente para saber a reação a esse medicamento metabolizado diferentemente de um indivíduo para outro. Em outras palavras, identificar as principais enzimas que levam às interações. Já existem alguns testes disponíveis no mercado, principalmente nos Estados Unidos, que podem identificar o risco genético. No entanto, muitas vezes são caros e raramente são reembolsados pelo plano de saúde.

Sem testes genéticos, é necessário consultar seu médico ou farmacêutico se durante a administração de medicamentos você apresentar reações incomuns.

Para saber mais, visite o site da Universidade de Stanford sobre farmacogenética: www.pharmgkb.org

2. Atenção ao risco de interações, inclusive entre medicamentos de venda livre e sem prescrição médica

Assim como no ponto 1, as interações entre medicamentos geralmente estão relacionadas às enzimas hepáticas, mas também é possível que se dê através de proteínas do plasma (ex. albumina) ou que diferenças na absorção do medicamento estejam envolvidas. De fato, muitas causas podem levar a interações.

Por exemplo, as chamadas interações competitivas entre diferentes medicamentos, como é o caso quando se toma Aspirina® (ácido acetilsalicílico) e Sintrom® (cumarina). Se a utilização destes dois medicamentos não for recomendada por um médico, pode haver um sério risco de sangramento. Nesse caso, um medicamento move o outro e aumenta sua concentração no sangue. O que pode causar sangramentos, especialmente durante o consumo diário.

É importante saber que outros medicamentos anti-inflamatórios, além da Aspirina®, podem levar a interações com anticoagulantes, como a cumarina ou o clopidogrel. Estes incluem o ibuprofeno e medicamentos anti-inflamatórios não esteróides (AINEs) em geral.

Tratamentos naturais

Os anticoagulantes sanguíneos, como o clopidogrel, também podem sofrer interações com suplementos alimentares naturais, como a ginkgo, a curcuma, o cranberry, o óleo de peixe ou a camomila. Pode ocorrer um aumento no sangramento, especialmente durante o consumo diário.

3. Atenção com o acúmulo de moléculas

Infelizmente, existem medicamentos no mercado contendo várias moléculas. Este é particularmente o caso dos medicamentos de venda livre (sem prescrição médica), que podem conter paracetamol, além de outros medicamentos para a rinite. O problema é que o paciente muitas vezes não sabe que esses medicamentos contêm paracetamol. Como resultado, eles compram outro medicamento contendo apenas paracetamol para combater a dor e a febre. O risco é um acúmulo de paracetamol, que sabemos que em excesso é uma molécula muito tóxica para o fígado. É por isso que alguns médicos e farmacêuticos desaconselham o uso medicamentos contendo várias moléculas e recomendam mono-substâncias (mono-moléculas). Deve-se prestar atenção especial no caso de crianças e idosos.

Por fim, lembre-se de que seu farmacêutico é o especialista em medicamentos e pode ajudá-lo com perguntas específicas e pessoais sobre o uso de medicamentos.

Artigo atualizado em 28 de fevereiro de 2019. Por Xavier Gruffat (farmacêutico da ETH de Zurique, MBA). Fontes: The Wall Street Journal, Prevention (revista de saúde americana). Foto: Adobe Stock


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